reincido
no mesmo fantasma
sem paz na alma.
asma.
o sufoco
dos nervos
nos nervos
servos e presos
à condição
com dicção
que me amarra
e agarra
e não há farra que valha
e limpe a escumalha
como e arfo
sem faca e garfo
e as beiças
não sei se as
lavei depois de comer
oh porra
estou-me sempre a esquecer
e volto a aquecer
requento o alento
ele vai
mas vai lento
atento ao que quis esquecer
sulco esse mares.
por favor não pares
exacerba a reincidência
deriva no escuro
é pior que o vazio
lá dentro perderá inocência
reincido
nos medos
que me gelam os dedos
fujo de forçar o que sou
e livro me expresso
às vezes com nexo
caminho
mas não sei onde vou
e perdido num batel
que nunca chegará a bom porto
até no oceano mais belo
me encontra um morto
o fantasma
cansado
usado
traçado
num compasso
de um destino
destinado à redundância
óbvia
pérfida
mórbida
volta-me a prender
ao pior dos pesadelos
as reincidências. fantasmas
meu caros
há que temê-los
nunca esquecê-los
Afonso Poema
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