Com a poesia, os seus autores são sempre indignados. Porque outra razão quereriam eles escrever?
Existe uma grande diferença entre ser-se indignado e estar-se indignado. Ontem, na capital, milhares de pessoas manifestaram a sua indignação: com a actual situação do país, com os sucessivos cortes e repressões para a classe trabalhadora. Estavam indignadas. Mas, depois, diluíram esse sentimento com cerveja, alguns charros e a imensa variedade de lazer humano. E esqueceram-se. Quando passava da meia-noite, muitos já não estavam indignados. A maior parte estava já a dormir.
Um poeta nunca deixa de estar indignado e, perdoe-se o pleonasmo, ele é sempre indignado. Gosta de se manifestar, grita com os versos, sua entre duas rimas emparelhadas que acabam por fazer todo o sentido na conjuntura do poema. E por isso escrevem. Principalmente para os outros, por estarem já fartos de se ouvir.
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