silêncio, por favor.
o barulho do mundo é lancinante.
é de cócoras que sustento o peso da cabeça
a latejar, síncrono, com a batida cardíaca,
que vos peço, silêncio por favor.
agonizo face a tantas palavras que nada dizem
aborrecido pela repetição dos dias,
das vozes, dos ruídos da humanidade.
tic, tac, tic, tac.
as horas escorrem e não escondem o pérfido odor
que tinge o suor das pessoas com que me cruzo na rua.
escorre-me água na cara mas a chuva já não lava o que me incomoda.
arde-me a testa, quente, em desespero.
Parem com isto!
grito eu, de dentro de um sonho horrível
em ruas desertas à procura de um copo com água.
mas teimo em acordar
a dor, apesar de tudo, também é companhia.
Afonso Poema
domingo, 20 de janeiro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
a-m-o-r
a-m-o-r.
a água quente, em infusão,
momento de letras, preciso,
objectivo, que liberta uma fragrância
repleta de retórica.
a água quente, em infusão,
momento de letras, preciso,
objectivo, que liberta uma fragrância
repleta de retórica.
será quando me esquecer das sibilâncias
será quando me esquecer das sibilâncias
de ouvir a palavra amor
redonda de paixão
que perderei a pronúncia da minha humanidade.
por ora, ainda consigo escrever
como catarse
numa vacuidade analítica
do peso da palavras.
sábado, 5 de janeiro de 2013
serras
temos vidas feitas de socalcos,
serras de aromas frutados e dissabores
onde ventos siberianos
nos fazem lembrar que sentimos.
o tempo fermenta
como zimbro licoroso
que tragamos
afogando as mágoas laminadas
como telhados de xisto.
cansado
Hoje acordei cansado. Nem o sol lá no alto conseguiu penetrar as persianas da minha disposição. O estranho silêncio é - poucas vezes - rasgado pelos motores de carros. Vrruuuummm. E cansam-me a disposição. O frio das ruas, esse, sinto-o no peito. E cansa-me.
O hábito faz o monge e isso é tramado para os ateus. A rotina e a inércia; o constante sonho de querer ser melhor, corrigir o defeito. Mas às vezes é feitio. Escuto as baladas inertes de um estado quase sonâmbulo. Acordei sem despertar. A névoa teima em dissipar. Canso-me.
O hábito faz o monge e isso é tramado para os ateus. A rotina e a inércia; o constante sonho de querer ser melhor, corrigir o defeito. Mas às vezes é feitio. Escuto as baladas inertes de um estado quase sonâmbulo. Acordei sem despertar. A névoa teima em dissipar. Canso-me.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Onde eu vivo
Onde eu vivo
sulcam as paredes
as peripécias dos pirralhos
da escola primária.
São os primeiros guinchos do ano,
alheios às repetições,
exaustivas,
do negativismo alheio
mas omnipresente.
Cantam o frio de Janeiro
que se entranha nas nossas dúvidas,
cinzentas como o céu.
Acordes que enterram a melancolia
melodias que adormecem e embalam
a esperança no novo ano.
Um novo ciclo desperta a sinfonia
lenta, dura, triste, repetitiva,
ouiço-a, vejo-a,
sinto-a.
Até a consigo cheirar,
onde eu vivo.
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