segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que não se escreve

O que não se escreve,
não se enterra.
Ficará por cá em assombros.
O que não se escreve,
é uma agonia engolida
à força,
sem dó nem piedade
é um rancor que não passa
que teima em queimar a tripa.
E a inutilidade das lágrimas
que apenas expressam,
mas nunca atenuam
a dor.
O asco, o vil, o que de pior se tranca na alma
acabará por comer-vos vivos.
O que não se escreve
cai no infinito do esquecimento
sem marcas nem relevos na história.
Faz-nos vencidos e depois esquecidos.
Por isso escrevo.
Para me lembrar que existo.
Grito no papel.
Porque posso.
E o mundo é meu.
Crio,
sou um deus-homem.
Cada memória em verso,
que forma um universo
de paz.
Libertação.
Exorcismo.
Expulso os demónios
que assombram a minha solidão.
Por isso,
escrevo.
Para me superar.
Ou para me abrigar.


Afonso Poema

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