sábado, 24 de setembro de 2011

Cultura à Rasca

Hoje, no Expresso, li uma crónica maravilhosa da jornalista Clara Ferreira Alves.

Ela representa uma geração cuja educação foi conseguida sem suportes tecnológicos, sem memória virtual. Ela começa o texto dizendo que "a cultura já não é o que era". Pois claro, o mundo mudou. As pessoas mudaram. A cultura não podia ser excepção. E, com imenso saudosismo, ela vai enumerando grandes nomes da literatura, que os seus contemporâneos devoravam com imensa avidez. Comiam "Bergman ao pequeno-almoço". Tinham que conhecer os textos de Nietzsche e Schopenhauer para poderem discutir o niislimo.

Tudo mudou entretanto. Eu, nascido na década de 80, que fui crescendo com os adventos tecnológicos, assisti a estupidificação a que a minha geração foi submetida. Trocámos os livros pelos computadores, a liberdade de expressão pela irresponsabilidade. Os clássicos cansam-nos, preferimos sempre o filme. Não temos tempo para ler, o mundo anda demasiado rápido para podermos rir com Mark Twain ou nos surpreender por Marx. Não discutimos. Porque não pensamos e não formamos opinião. Absorvemos pequenos fragmentos no facebook, num blog. Mais que dois parágrafos é uma seca.

Mas alguns de nós recusamos esse rótulo, que a cada dia que passa, se vai generalizando. Apesar de estarmos à rasca, como a nossa cultura, vamos tentando aproveitar os poucos momentos mortos para irmos folheando. Daqui a uns anos vamos ser nós no poder, nos cargos dirigentes, nos cargos culturais. Temo o pior. Alea Jacta Est.


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