silêncio, por favor.
o barulho do mundo é lancinante.
é de cócoras que sustento o peso da cabeça
a latejar, síncrono, com a batida cardíaca,
que vos peço, silêncio por favor.
agonizo face a tantas palavras que nada dizem
aborrecido pela repetição dos dias,
das vozes, dos ruídos da humanidade.
tic, tac, tic, tac.
as horas escorrem e não escondem o pérfido odor
que tinge o suor das pessoas com que me cruzo na rua.
escorre-me água na cara mas a chuva já não lava o que me incomoda.
arde-me a testa, quente, em desespero.
Parem com isto!
grito eu, de dentro de um sonho horrível
em ruas desertas à procura de um copo com água.
mas teimo em acordar
a dor, apesar de tudo, também é companhia.
Afonso Poema
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